A
Meraluz's Production

Starring: Meraluz, You, Real Life, Dream Life, Poetry, Art, Joke and whatever!

Vamos falar de vida !

Mas qual é mesmo a melhor maneira de falar dessa Senhora?

Ah, lembrei ! É VI-VENDO!



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Rio de Janeiro


Duas paixões: Rio e Flamengo.


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- Vôos Bloguéticos




Meu preferido, dentro da categoria:

Jesus, me chicoteia!

- Aldeia - Cesar Oliveira
- Espaço das Letras - Tradução, Revisão
- Essas Mulheres - Ivy Wyler
- Loganálise - Luiz César Ebraico, meu guru
- M.Lopes Design - Marcio Lopes


Poema XXVII, in Poemas do Irremediável
- Paschoal Carlos Magno

Sei que a promessa não será cumprida,
à medida que teus passos se afastam,
sei que não voltarás à minha vida...

Se tivesse coragem de gritar
"Pára", talvez ainda me ouvirias
como ouço teu começo de viagem...

Mas não: dia a dia
devo assistir
a chegada consciente da distância...
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Outro poema:

Oh, yes! - Charles Bukowski

there are worse things than
being alone
but it often takes decades
to realize this
and most often
when you do
it's too late
and there's nothing worse
than
too late.



Presente da Cacau para uma aquariana:

When the Moon is in the Seventh House
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the wars
This is the dawning of the
Age of Aquarius
The Age of Aquarius
Aquarius!
Aquarius!


online


veja também Quelque Chose II: www.quelquechose.net/qq/

Fevereiro 28, 2004 :::

Amores mal resolvidos
Arnaldo Jabor

Olhe para um lugar onde tenha muita gente: uma praia num domingo de 40º, uma estação de metrô, a rua principal do centro da cidade.
Metade deste povaréu sofre de Dor de Cotovelo.
Alguns trazem dores recentes, outros trazem uma dor de estimação, mas o certo é que grande parte desses rostos anônimos tem um Amor Mal resolvido, uma paixão que não se evaporou completamente, mesmo que já estejam em outra relação.
Por que isso acontece?
Tenho uma teoria, ainda que eu seja tudo, menos teórico no assunto.
Acho que as pessoas não gastam seu amor. Isso mesmo.
Os amores que ficam nos assombrando não foram amores consumidos até o fim.
Você sabe, o amor acaba. É mentira dizer que não.
Uns acabam cedo, outros levam 10 ou 20 anos para terminar, talvez até mais.
Mas um dia acaba e se transforma em outra coisa: lembranças, amizade, parceria, parentesco, e essa transição não é dolorida se o amor for devorado até o fim.
Dor de Cotovelo é quando o amor é interrompido antes que se esgote.
O amor tem que ser vivenciado.
Platonismo funciona em novela, mas na vida real demanda muita energia sem falar do tempo que ninguém tem para esperar.
E tem que ser vivido em sua totalidade.
É preciso passar por todas etapas: atração-paixão-amor-convivência-amizade-tédio-fim.
Como já foi dito, este trajeto do amor pode ser percorrido em algumas semanas ou durar muitos anos, mas é importante que transcorra de ponta a ponta, senão sobra lugar para fantasias, idealizações, enfim, tudo aquilo que nos empaca a vida e nos impede de estarmos abertos para novos amores.
Se o amor foi interrompido sem ter atingido o fundo do pote, ficamos imaginando as múltiplas possibilidades de continuidade, tudo o que a gente poderia ter dito e não disse, feito e não fez.
Gaste seu amor.
Usufrua-o até o fim.
Enfrente os bons e maus momentos, passe por tudo que tiver que passar, não se economize.
Sinta todos os sabores que o amor tem, desde o adocicado do início até o amargo do fim, mas não saia da história na metade.
Amores precisam dar a volta ao redor de si mesmo, fechando o próprio ciclo.
Isso é que libera a gente para Ser Feliz Novamente.


::: by meraluz at 11:51 PM - post nº

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Fevereiro 17, 2004 :::

Não me chamem para churrascos


É. Eu tive que ir. Ensaiei algumas desculpas para me livrar do grande evento mas não houve jeito. Era aniversário do marido de minha amiga C., e ela fazia questão da presença de todos, sob pena de cortar a amizade. E lá fui eu. Toda perfumada, limpinha, engomadinha. O churrasco seria no playground do prédio (ó, céus!). Até acertar onde fica o playground nesses condomínios com trocentos blocos, vai uma boa meia hora. É bem verdade que o cheiro ajudou na localização. Havia mais de 100 pessoas no recinto e muita fumaça. Cumprimentei discretamente a todos e escolhi a dedo uma mesa estrategicamente localizada. Bem longe da fumaça. Contrataram um serviço, mas os comensais eram obrigados a se dirigir até a churrasqueira para pegar suas carnes e investir em toxinas. Pensei: "estou salva, não como carne!" Mas eis que uma senhora idosa pede quase em súplica que eu pegue para ela as 1001 carnes que estalavam na churrasqueira. Não costumo negar gentilezas a idosos, por natureza. E lá fui eu para a frente da churrasqueira, onde impregnei-me de fumaça gordurosa até a alma. Aquele odor maravilhoso de lingüiças, picanhas, maminhas, coração de galinha, todos saturadíssimos. Mas fiz lá minha boa ação e ainda tive de constatar que a ingestão de carnes não compromete a longevidade. Voltei à minha mesa estrategicamente localizada, servindo-me no buffet de uma saladinha "low profile". O barulho impedia o processamento zen da minha digestão. Crianças gritavam e corriam sem parar. Vozes se misturavam. Uma algazarra só. O próximo passo deveria ser o pagode - oh, não! Comecei a rezar "Senhor, fazei com que não se lembrem do pagode, parte integrante da maioria dos churrascos." O Senhor ouviu minhas preces, ufa... Não teve pagode. Justiça seja feita, aquelas pessoas realmente não pareciam mesmo apreciadoras de pagode, gostavam de bossa-nova, para minha sorte.

Estava já desesperada para ir embora quando surge ao fundo alguém com uma TV de 29 polegadas. Colocam-na ao lado da minha mesa estrategicamente localizada e anunciam: "FLAMENGO x VASCO ! Ninguém se mexe! Todo mundo assistindo e nem um pio!". Pronto. Já não poderia mais me levantar para sair. Não deveria desconcentrá-los do jogo. Segurei até o segundo tempo então, porque, afinal, sou flamenguista, e não chega a ser um sacrifício ver meu mengão ganhar do Vasco de 2 x 0.

Finalmente, consegui sair daquele ritual antropofágico. Não sem antes posar para a famosa fotografia em grupo que iria constar das futuras recordações em algum álbum de capa florida. Era um domingo da semana anterior ao Carnaval. Quando, enfim, comecei a respirar aliviada do lado de fora, um funcionário da CET Rio vem me avisar que a rua estava fechada por causa do desfile do Bloco Suvaco do Cristo, no Jardim Botânico. Era só o que me faltava. Tudo o que queria era correr para o meu chuveiro e livrar-me daquele cheiro de carne e gordura. Mas só consegui alcançá-lo 1 hora depois de vencer um trânsito dantescamente engarrafado.

E, depois deste relato, meus amigos, deixo aqui um pedido suplicante: - não me convidem para churrascos, por favor! É muito sacrifício pro meu estilo zen, há qualquer coisa nesse tipo de evento que me lembra as barbáries. E eu sou uma pentelha social que não come carnes.


::: by meraluz at 3:51 PM - post nº

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Fevereiro 5, 2004 :::

Aviso aos Navegantes

O tempo escapou-me novamente. Tirou-me o diletantismo e as horas de recreio. Espero que minha boa vizinhança compreenda. Ao primeiro hiato de liberdade, voltarei a visitá-los e a estender neste varal melhores e mais palavras.


::: by meraluz at 11:15 AM - post nº

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Hilda Hilst (1930/2004)



Ontem a Literatura ficou um pouco mais pobre. Hilda Hilst partiu deste mundo, deixando-nos muitas e belas palavras e levando tantas outras. Eu gostava dela, gostava muito.

Para poder morrer
Guardo insultos e agulhas
Entre as sedas do luto.
Para poder morrer
Desarmo as armadilhas
Me estendo entre as paredes
Derruídas
Para poder morrer
Visto as cambraias
E apascento os olhos
Para novas vidas
Para poder morrer apetecida
Me cubro de promessas
Da memória.
Porque assim é preciso
Para que tu vivas.


(Hilda Hilst)


::: by meraluz at 11:03 AM - post nº

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Fevereiro 2, 2004 :::

Queria reabilitar em mim a capacidade de escrever coisas bonitas, vindas lá do fundo do coração. Lembro bem da fluidez semântica que experimentava antes do "doutrinamento" dele (do coração).

Mas sofri uma espécie de "heartwashing". É, eu sei. Ele deve ainda ter alguma força. Mas a razão, essa velha chata, anda falando mais alto. É extremamente monótona, sem atrativos, mas é previsível. Com ela não haverá convulsões. Tudo será muito bem explicadinho - e cheio de tédio, óbvio.

Deixe-me tentar ouvir o que o coração me diz agora. Vamos ver...

- (*a*%%e9epls)(*&&!!?)(*&^%#@@!

Nossa... será que ele disse algum palavrão?

É melhor que o distinto continue calado. Limitar-me-ei a invejar aqueles que ainda conseguem escrever, falar ou produzir algo com o coração. É uma produção muito mais bonita, muito mais fecunda e muito mais humana.

Mas, quanto a mim, melhor mesmo é não acordar este gigante adormecido. Assim, me iludo "pensando ter" o controle da vida em minhas mãos (ó, pretensão!).


::: by meraluz at 6:43 PM - post nº

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