A
Meraluz's Production

Starring: Meraluz, You, Real Life, Dream Life, Poetry, Art, Joke and whatever!

Vamos falar de vida !

Mas qual é mesmo a melhor maneira de falar dessa Senhora?

Ah, lembrei ! É VI-VENDO!



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Rio de Janeiro


Duas paixões: Rio e Flamengo.


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- Calem a boca, falsos amantes !
- Cenas de Infância e Livre Expressão
- Não Freud e não sai de cima
- E meu coração nunca mais foi o mesmo
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- Caminho de volta


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Meu preferido, dentro da categoria:

Jesus, me chicoteia!

- Aldeia - Cesar Oliveira
- Espaço das Letras - Tradução, Revisão
- Essas Mulheres - Ivy Wyler
- Loganálise - Luiz César Ebraico, meu guru
- M.Lopes Design - Marcio Lopes


Poema XXVII, in Poemas do Irremediável
- Paschoal Carlos Magno

Sei que a promessa não será cumprida,
à medida que teus passos se afastam,
sei que não voltarás à minha vida...

Se tivesse coragem de gritar
"Pára", talvez ainda me ouvirias
como ouço teu começo de viagem...

Mas não: dia a dia
devo assistir
a chegada consciente da distância...
---------------------------------------

Outro poema:

Oh, yes! - Charles Bukowski

there are worse things than
being alone
but it often takes decades
to realize this
and most often
when you do
it's too late
and there's nothing worse
than
too late.



Presente da Cacau para uma aquariana:

When the Moon is in the Seventh House
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the wars
This is the dawning of the
Age of Aquarius
The Age of Aquarius
Aquarius!
Aquarius!


online


veja também Quelque Chose II: www.quelquechose.net/qq/

Agosto 2, 2008 :::

BUG NO INTERNET EXPLORER

Não sei por que raios a Microsoft não está permitindo que vários sites sejam executados, principalmente os blogs. Este é um problema geral, não apenas meu. Experimentei abri-los no FIREFOX e funcionou. Portanto, sugiro usarem, ainda que temporariamente, o Mozilla Firefox.


::: by meraluz at 11:56 AM - post nº

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Desprocessamento

Como deve ser escrever assim sem deixar o pensamento ordenar matematicamente as palavras? É o que tento fazer aqui, embora não seja de todo possível. Mas vale a experiência. Passar rapidamente as palavras para a superfície vazia, sem dar muito tempo ao cérebro para ordenar o pensamento. Cuspir palavras, com ou sem nexo. Fogo. Luz. Água. Mar... Mar... aMar... Gosto de "mar". Com mar se faz MARtírio, MARacujá, MARasmo, MARcar, MARavilha, MARgem, MARginal, mar, mar mar...

Eu não quero fazer sentido. Quero perder todos. Quero me desprocessar. Quero me desconstruir e espalhar cacos, pedras, vitrilhos, faíscas, ruínas de mim. Me desintegrar, porque meu corpo pesa, comprime a alma. Não quero saber das histórias que fiz. Não quero saber porque as histórias que fiz tiveram um fim. E, se tiveram um fim, foram pedaços de histórias. Migalhas para tapar os buracos da existência. Quero aquilo que não tem começo nem fim. A energia suprema, sem forma, sem regras, sem promessas, sem passado ou futuro.

Mas por que tudo ainda continua fazendo um estúpido sentido? Um sentido absurdo e sem sentido... Amor - o único sentido. Por onde anda este ilustre personagem de toda grande história?

nonsense.jpg



::: by meraluz at 11:55 AM - post nº

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VERTIGO
vertigem.jpg

Roda o tempo,
vento, invento,
rodam cores,
minhas dores,
corre-dores,
escorre-dores,
roda vida,
dividida,
minha boca,
minha louca,
minha cara
mascarada
nada a ver,
nada a VER.
Pára o mundo,
que eu quero descer
!



::: by meraluz at 11:54 AM - post nº

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Desprocessamento

Como deve ser escrever assim sem deixar o pensamento ordenar matematicamente as palavras? É o que tento fazer aqui, embora não seja de todo possível. Mas vale a experiência. Passar rapidamente as palavras para a superfície vazia, sem dar muito tempo ao cérebro para ordenar o pensamento. Cuspir palavras, com ou sem nexo. Fogo. Luz. Água. Mar... Mar... aMar... Gosto de "mar". Com mar se faz MARtírio, MARacujá, MARasmo, MARcar, MARavilha, MARgem, MARginal, mar, mar mar...

Eu não quero fazer sentido. Quero perder todos. Quero me desprocessar. Quero me desconstruir e espalhar cacos, pedras, vitrilhos, faíscas, ruínas de mim. Me desintegrar, porque meu corpo pesa, comprime a alma. Não quero saber das histórias que fiz. Não quero saber porque as histórias que fiz tiveram um fim. E, se tiveram um fim, foram pedaços de histórias. Migalhas para tapar os buracos da existência. Quero aquilo que não tem começo nem fim. A energia suprema, sem forma, sem regras, sem promessas, sem passado ou futuro.

Mas por que tudo ainda continua fazendo um estúpido sentido? Um sentido absurdo e sem sentido... Amor - o único sentido. Por onde anda este ilustre personagem de toda grande história?


::: by meraluz at 11:53 AM - post nº

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Dezembro 19, 2007 :::

Lojas virtuais - sabores e dissabores

A título de informação, relato aqui minha experiência, ao longo de 2007, no quesito "compras em lojas virtuais". Algumas delas me surpreenderam pela eficiência. Outras, que antes prestavam bons serviços, ao contrário, me deixaram muito insatisfeita pela desorganização. Listo abaixo as que mais usei neste ano. Futuramente, postarei comentários sobre outras lojas, inclusive, se for o caso, retirando alguma crítica aqui publicada, por questão de justiça. É bom deixar aqui assinalado que este é um juízo feito a partir da minha experiência particular. Nem todos passam pelos mesmos dissabores ou sabores. Então, vamos lá:

submarino.jpg

Submarino - www.submarino.com.br - Neste ano, pelo menos, foi a campeã do mau atendimento. Tive problemas sérios com atrasos nas entregas, e, principalmente, nas tentativas de contato com a loja, quando foi o caso de algum problema ou pendência. A comunicação com o Submarino - se não for para compra direta - é simplesmente impossível. Lamentável, pois, no passado, era uma das mais organizadas e pontuais. Talvez não tenham sabido crescer. Espero que, em 2008, essas falhas sejam corrigidas. Por enquanto, decidi manter distância. Do jeito que está, não recomendo a amigos, só a inimigos.

americanas.jpg
Americanas.com - www.americanas.com.br - Razoável. Manteve-se na mesma linha. Não é das mais rápidas em certas entregas, mas também não é das mais demoradas. O frete é um tanto alto, mas às vezes compensa. Para algumas mercadorias, tem excelentes preços. É confiável. Bom sistema de pagamento, variedade de produtos, além de oferecer a vantagem do nome respeitável. Continuarei a fazer minhas compras lá, quando necessário.

comprafacil.jpg

Compra Fácil - www.comprafacil.com.br - Sem dúvida alguma, a melhor das minhas experiências. Entrega rápida, bom sistema de pagamento, variedade de mercadorias, ótimo atendimento e excelentes preços.

casaevideo.jpg

Casa & Video - www.casaevideo.com.br - Razoável. Às vezes, ocorre atraso na entrega. Nada que não se resolva por meio do SAC. Pouca variedade de produtos na loja on-line. Os preços variam, nem sempre são os melhores. O ideal é comprar na loja física, se houver possibilidade.

pontofrio.jpg

Ponto Frio - www.pontofrio.com.br - Tão confiável quanto cara. Preços muito altos em comparação com os de suas concorrentes. Entrega rápida, no entanto.

saraiva.jpg cultura.jpg fnac.jpg siciliano.jpg

Livrarias - Costumo alternar entre a Saraiva, a FNAC, a Cultura e a Siciliano.
Em termos de preço: Saraiva e FNAC. Para livros raros, principalmente estrangeiros: Cultura - porém, os preços não são os melhores. Agilidade na entrega: Saraiva, Siciliano, Cultura. A FNAC, apesar de contar com um bom estoque disponível, tem um sistema de entrega lentíssimo, que me deixa muito irritada. Logo, a campeã é a Saraiva. Pena que nem sempre disponha de todos os títulos. As demais são razoáveis.

MercadoLivre.jpg

Mercado Livre - www.mercadolivre.com.br - Há anos tenho feito excelentes negociações no Mercado Livre. Em mais de 30 transações, não tenho queixas de nenhuma. Os preços são imbatíveis e acha-se o inimaginável ali. O sistema "Mercado Pago" oferece uma garantia a mais e a possibilidade de se pagar com cartão, embora incida aí uma taxa adicional. Geralmente, negocio diretamente com o vendedor. Mas atenção: para se fazer compras seguras no Mercado Livre, é preciso pesquisar o histórico do vendedor. Não aconselho negociações com usuários novatos. Nesse tipo de negociação on-line, não há como evitar a presença de gente mal intencionada. Mas, consultando a reputação do vendedor/comprador, não tem erro.


::: by meraluz at 11:54 AM - post nº

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Novembro 30, 2007 :::

joel_ficou.jpg

foto: globo.com

Já sei, já sei... O tema "futebol" não é dos mais apreciados pelos leitores deste blog. Mas é que a coisa vai além disso, muito além, e se expande para muitos outros aspectos da existência. Flamenguista é uma raça à parte. É, de fato, raça, amor e paixão. Flamenguista sofre até os estertores e vibra como se fosse explodir, levitar. O grito de "gol!!!" da galera equivale a um orgasmo merecido e suado. E quando eles cantam empurrando o time... Ah, quanta emoção há naquele coro que abala os céus, quanta emoção! - "Eu sempre te amarei, onde estiver estarei, oh meu mengô!" - Cantam com tudo, com as vísceras, acompanhados pela percussão dos batimentos cardíacos a quase 200.

A trajetória do Flamengo, neste Brasileirão, foi banhada de lágrimas e risos. Angústia na época do quase rebaixamento, êxtase na classificação para a Libertadores. Muita gente empenhou a saúde de seu coração no caminho entre o limbo e a glória. Essa torcida é mágica. Mas não adianta dizer. É preciso estar lá pra entender essa magia. É feita de coração. É vermelha, é vermelha, é vermelha! É um fenômeno que não pára de crescer, seja na tristeza, seja na alegria. O Flamengo já não é do Rio. É do Brasil, é do mundo, é de todo mundo. Extrapolou todas as soberanias e barreiras.

Hoje é um dia histórico no clube. O grande Joel disse, enfim, que "fica"! E tem que ficar. Porque ele é mesmo a cara do Flamengo: vibra, pula, dá esporro, chora, se emociona, grita o tempo todo, fala palavrão, fala a língua do povo e dos jogadores. Fala a língua do Flamengo. E por que Joel acertou o time? Um time que estava prestes a conhecer os dissabores do precipício?

Joel fez aquilo que eu sempre acreditei fazer a diferença - e isto se aplica a outros setores da vida. Joel promoveu a união, a auto-confiança, o bom ambiente e o sentimento de equipe num time perdido. A partir daí, o movimento foi só de ascensão. Todo mundo se entendia. Nada de disputas internas ou brilhos individuais. Todos unidos e centrados num mesmo desejo de vitória: a vitória de todos. Sem união não há prosperidade. E essa união não pode deixar de fora a torcida, que empurra e empurra, fabricando uma energia que move até montanhas. E o time se moveu... E todos estão felizes, sorridentes. A cidade está em festa. E, depois que Joel deu o seu tão esperado SIM, todos foram comemorar lá no alto do Corcovado, aos pés do Cristo Redentor. Joel se emocionou e chorou. E eu também, assim como outros corações rubro-negros.

O Flamengo ainda é das poucas coisas que ainda conseguem me emocionar, a ponto de deixar meu coração totalmente vulnerável. Porque a vida, ultimamente, as notícias nos jornais, relatam desesperanças. Graças a Deus eu sou flamenguista! Obrigada Flamengo! Obrigada Joel!


::: by meraluz at 6:57 PM - post nº

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Junho 12, 2006 :::

Os Reféns pedem socorro!

(Fausto Wolff - JB Caderno B, 11.06.2006)

NUNCA PENSEI que escreveria isto: o Brasil e seu povo são reféns do governo. Não estivemos nesta situação nem nos anos da ditadura, pois, como ela era ilegal, tínhamos com quem brigar, não lhe dávamos as costas e sonhávamos com a reconstrução da esquerda. Hoje somos reféns porque não apitamos. Se tentarmos apitar, nos matam, vamos para a cadeia, nos despedem ou , na melhor das hipóteses, nos aplicam uma multa.

Pensando bem, Lula trabalhou bem e é mesmo capaz de ganhar no primeiro turno. Em 2002, encontrou uma classe média (cuja ideologia é galgar os degraus que levam à alta burguesia e fazer qualquer negócio para não descer ao inferno do proletariado) entre o fogo e a frigideira. Se por um lado não queria perder o pouco que tinha votando num candidato comunista (é, a classe média achava que Lula era comunista), não podia permitir que os neoliberais de FHC continuassem a estreitar seu pescoço com o garrote vil do congelamento.

Pressentindo isso, Lula e sua gangue adoçaram o discurso para torná-lo palatável à classe média. Era tudo que a classe média queria. O excelente ator pernambucano tinha o voto dos petistas e da esquerda enganada. A classe média, porém, foi fundamental para a vitória. No poder, tendo de agradar ao Consenso de Washington, a José Dirceu, a Jefferson e aos partidos de aluguel, decidiu viajar pelo exterior, onde podia dizer as besteiras que quisesse, pois, no máximo, seria considerado bizarro. A "tchurma" - Dirceu, Genoino, Delúbio, Palocci, Jefferson e o Carequinha - quebraria o galho. Ele tinha o plano de se reeleger de qualquer maneira.

Quando um político ladrão, safado, sem vergonha rouba alguns milhões de dólares e manda para o exterior, está matando crianças, velhos, desempregados, centenas de milhares de pessoas humildes que nem sabem o nome de seu algoz. Pois quando a quadrilha foi descoberta, Lula não se abalou. Continuou viajando e dizendo bobagens. Sabia que a oposição iria criticá-lo, pedir sua cabeça - e havia motivos de sobra para seu impedimento - mas tinha certeza de que ela só iria até certo ponto.

Antônio Carlos Magalhães, Agripino Maia, Arthur Virgílio, Heráclito Fortes silenciariam quando notassem que todas as pistas conduziriam à gangue FHC e o que ela fez para legalizar seu segundo mandato. Sabia que se tentassem atingi-lo pessoalmente acabaraiam atingindo FH com quem aprendera o entreguismo ordenado pelo neoliberalismo global. Sabia que podia contar com os picaretas da Câmara para se absolverem mutuamente, como ocorreu com os mensaleiros e não vai ocorrer com os sanguessugas e nem com os castores e, já que o assunto é roubar sangue, nem com os juízes do Supremo que acabam de aumentar seus salários para quase R$ 28 mil mensais, sem contar as mordomias.

De certa forma - Lula deve ter pensado - foi até bom ter se livrado dos garotos dissidentes que acreditaram no seu socialismo. Melhora inda foi ter se livrado de Dirceu e de Palocci, que, como numa farsa de Molière, queriam crescer demais. Lula tinha seu trunfo: o povo pobre, miserável, faminto. Para tanto, era preciso fazê-lo sem sofrer: nem saúde, nem empregos, nem escolas. No máximo a humilhação da bolsa-comida, comida pelos prefeitos.

O povo que não lê jornais está se lixando para a quadrilha do Dirceu; identifica-se com Lula, que fala como ele, conta as mesmas piadas, bebe cachaça e engole buchada, tem a língua presa e se não faz mais é porque os ricos não deixam. Para o povo, a classe média são os ricos. Lula sabe da carência do povo, sabe que um sorriso seu vale 100 votos, um abraço e um beijinho mais 100. Mas sabe, principalmente, que conta com um PSDB de rabo preso e com toda a banda podre do PMDB para não falar nos muitos partidos de aluguel. Sabe mais, que terá o tempo que quiser na TV para cativar o povão, para lhe explicar que os ricos tentam impedi-lo de ajudar seus irmãos desvalidos, mas que isso agora vai mudar. Foi inteligente da parte de Lula não fazer nada pelo povo. Ignorante, ele lhe garantirá as eleições.

Por isso comecei dizendo que somos reféns da polícia e dos ladrões, dos políticos da situação e da oposição, dos juízes, e do guarda da esquina. O Brasil me lembra o sino que batia sem fazer som algum do filme de Kavalerowicz, Madre Joana dos Anjos. A Polônia pedia socorro, mas a Europa não ouvia. Hoje quem pede socorro é o Brasil. Pessoalmente, vou pedir ajuda à Santa Heloísa Helena para não ter de anular meu voto.


::: by meraluz at 3:46 PM - post nº

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Junho 2, 2006 :::

Eu sou brasileira, sem muito orgulho...

brazil.gif

Porque sou brasileira vou me impor o sacrifício de torcer contra a seleção. Não sei se consigo. Mas tentarei. A hora é de consciência e não de ufanismos tolos. Melhores no futebol e piores no IDH (índice de desenvolvimento humano)? Melhores no futebol e melhores ainda na epidemia da corrupção? Mais uma vitória, e todos os louros creditados ao governo da hora. Campeões da bolinha nos pés, campeões da injustiça nas mãos.

E que seleção é essa, em que apenas dois jogadores vivem no país? Patéticos atletas que não amam o Brasil, mas dólares e fama. Suam suas camisas da Nike por dinheiro e não por amor à pátria. Não são craques verde-amarelos como aqueles de outras décadas, quando o futebol ainda não era um grande negócio e, a despeito de tudo, gerava Pelés ou Zicos, brasileiríssimos.

E tem mais, se o Brasil ganha essa copa, ainda corremos o risco de ouvir o Exmo. Sr. Presidente dizer que inventou o futebol. Ninguém merece. Não vou suportar.

Pelo bem do Brasil, espero sinceramente que esses novos gringos, que defendem nossa seleção e seus milhões de dólares, não tragam a taça. Torço contra. Sou brasileira, sem muito orgulho, mas com muito amor...


::: by meraluz at 1:42 PM - post nº

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Abril 27, 2006 :::

Ainda a Varig

* * *
"Mas, como eu disse, amo a Varig. A empresa que vive no meu coração não é da história mal contada, mas a dos comissários e comissárias de bordo, dos pilotos e co-pilotos, do pessoal de terra -- esses meus conterrâneos sempre tão dedicados, amigos, competentes. É a Varig da linda comissária Eliane Lameirão, que ainda anteontem me serviu uma deliciosa refeição de bordo em pleno programa do Jô, num carinho inesperado nascido da minha descarada paixão por comida de avião.

Não foram eles os culpados pelo pecado original da companhia que, apesar de tudo, conquistou a afeição dos seus usuários e acabou se transformando em orgulho nacional. Também não foram eles os culpados pela sua derrocada. Quando estive em Budapeste no ano passado senti um peso no coração ao virar uma esquina e, subitamente, dar de cara com uma loja abandonada com o nome Varig lá no alto. Todo encardido.

Nada tenho com a Varig exceto um punhado de milhas, mas aquela loja me abalou e mexeu num ponto sensível da minha alma viajante. Uma loja da Varig fechada lá fora é como uma embaixada abandonada, triste de se ver. Com a diferença que, para entrar numa embaixada, tomar cafezinho e bater dois dedos de prosa na língua da gente é preciso conhecer alguém no Itamaraty, ao passo que as lojas da Varig sempre estiveram de portas abertas para todos os brasileiros no exterior. Entrar num de seus aviões depois de dias ou semanas em outro país é como o Brasil estar vindo ao nosso encontro, para nos trazer de volta para casa.
* * *
Fica claro que tenho sentimentos ambivalentes em relação à sua atual situação. Meu lado lógico e racional acha que o mercado deve seguir seu curso, mas meu lado emocional discorda radicalmente do mercado desde o dia em que a AT&T demitiu 20 mil funcionários e suas ações dispararam na bolsa. Havia aí uma perversidade com a qual até hoje, passados dez anos, não consegui fazer as pazes moralmente.

Com toda a franqueza, não sei se o governo deve ou não manter distância da questão; minha cabeça tem razões que meu coração não reconhece. Por outro lado, o governo tem razões que não há cabeça que entenda, até porque cabeça é o que, aparentemente, ele menos usa. O Brasil precisava mesmo mandar aquele astronauta insuportável para o espaço? E precisa mesmo financiar o equivalente a nove viagens da Terra à Lua só em combustível para os deputados, sem deixar unzinho que seja por lá?

O fato é que, diante de desperdícios tão óbvios e estapafúrdios, dar uma chance à Varig não me parece coisa que mereça a carranca que faz dona Dilma sempre que fala no assunto.

Enfim, será o que Deus quiser. Mas eu, de minha parte, estou, apesar dos pesares, torcendo de coração pela Varig e pelos seus indômitos funcionários."

(Coluna Cora Ronai - O GLOBO, Segundo Caderno, 27.4.2006)
blog cora ronai


::: by meraluz at 11:44 AM - post nº

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Abril 25, 2006 :::

VARIG, a estrelinha que mora no coraçao do Brasil

varig.jpg

Com o empenho de toda a sociedae, não haverão de derrubar a nossa estrelinha brasileira que corta os céus do universo, de norte a sul, levando e trazendo gente do e para o nosso país.

Eu gosto dela, mais do que de todas as outras. Na Varig tive vôos felizes, fui bem tratada, me senti em casa e me senti segura, com toda a minha claustrofobia.

brvarig.bmp
Quando o capitalismo selvagem começa a ignorar 80 anos de história e de bons serviços prestados ao país, só nos resta lamentar. Mas a estrelinha há de brilhar novamente, há de se recuperar e dar a volta por cima.

Alegro-me quando vejo quase todos os setores sociais envolvidos na causa da Varig. O Brasil é Varig!


::: by meraluz at 2:13 PM - post nº

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Março 12, 2006 :::

Moinhos de lama

Precisa-se de mais Quixotes num país onde os ideais adormeceram. Infelizmente os moinhos aqui não são de vento, e sim de lama e corrupção. Porém, a luta pelo resgate da dignidade é compensadora.

quix.jpg




::: by meraluz at 1:04 AM - post nº

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Março 9, 2006 :::

Que país é este???

mensalao08.jpg


Final do discurso de protesto do deputado CHICO ALENCAR do PSOL (ex-PT, frise-se bem), em sessão extraordinária da Câmara do dia 8 de março que, mais uma vez, absolveu vergonhosamente parlamentares envolvidos no mensalão:

"Quero encerrar, Sr. Presidente, lendo um texto que é a voz da sociedade, talvez da opinião pública, tão desprezada por alguns aqui, uma palavra de mulher, de Elisa Lucinda, para que meditemos em tudo o que estamos fazendo:

Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta a prova? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, do nosso dinheiro, que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e de seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais...

Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais? É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz. Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, de minha mãe, minha avó e dos justos que os precederam: 'não roubarás', 'devolva o lápis do coleguinha!', 'esse apontador não é seu, meu filho'.

Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear, mais honesta ainda eu vou ficar, só de sacanagem! Dirão: 'deixa de ser boba, desde Cabral, que aqui todo mundo rouba'. Eu vou dizer: 'não importa, será esse meu carnaval, vou confiar mais e outra vez'. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo, a gente consegue ser livre, ético e o escambau!

Dirão: 'é inútil, todo mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal'. E eu direi: 'não admito, minha esperança é imortal, e eu repito, ouviram?: IMORTAL!' Sei que não dá pra mudar o começo, mas se a gente quiser, vai dar pra mudar o final.
"

(Da crônica "Só de Sacanagem" - Elisa Lucinda)



::: by meraluz at 12:35 PM - post nº

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corrupção termina em pizza!

Pizzaaaaaaaaaaaaaaaaaaa para los idiotas !!!!


::: by meraluz at 12:34 PM - post nº

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Março 8, 2004 :::

Os arautos da base governista e seu poderoso chefão, em campanha aberta e deslavada, comemoram e bradam aos quatro ventos pesquisa indicando diminuição do índice de desigualdade no país. No entanto, já não são tão enfáticos ao afirmar que a renda média do trabalhador também diminuiu e que o índice de crescimento econômico só superou o do Haiti - que se não é aqui é quase aqui. Ora, se a desigualdade diminuiu, se não há crescimento, se a renda do trabalhador descresce, só posso deduzir que a dimimuição da desigualdade é provavalmente explicada pelo aumento do número de pobres.

E viva o PT ! Tudo pelo "social eleitoreiro"!


::: by meraluz at 1:47 PM - post nº

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Fevereiro 28, 2004 :::

Amores mal resolvidos
Arnaldo Jabor

Olhe para um lugar onde tenha muita gente: uma praia num domingo de 40º, uma estação de metrô, a rua principal do centro da cidade.
Metade deste povaréu sofre de Dor de Cotovelo.
Alguns trazem dores recentes, outros trazem uma dor de estimação, mas o certo é que grande parte desses rostos anônimos tem um Amor Mal resolvido, uma paixão que não se evaporou completamente, mesmo que já estejam em outra relação.
Por que isso acontece?
Tenho uma teoria, ainda que eu seja tudo, menos teórico no assunto.
Acho que as pessoas não gastam seu amor. Isso mesmo.
Os amores que ficam nos assombrando não foram amores consumidos até o fim.
Você sabe, o amor acaba. É mentira dizer que não.
Uns acabam cedo, outros levam 10 ou 20 anos para terminar, talvez até mais.
Mas um dia acaba e se transforma em outra coisa: lembranças, amizade, parceria, parentesco, e essa transição não é dolorida se o amor for devorado até o fim.
Dor de Cotovelo é quando o amor é interrompido antes que se esgote.
O amor tem que ser vivenciado.
Platonismo funciona em novela, mas na vida real demanda muita energia sem falar do tempo que ninguém tem para esperar.
E tem que ser vivido em sua totalidade.
É preciso passar por todas etapas: atração-paixão-amor-convivência-amizade-tédio-fim.
Como já foi dito, este trajeto do amor pode ser percorrido em algumas semanas ou durar muitos anos, mas é importante que transcorra de ponta a ponta, senão sobra lugar para fantasias, idealizações, enfim, tudo aquilo que nos empaca a vida e nos impede de estarmos abertos para novos amores.
Se o amor foi interrompido sem ter atingido o fundo do pote, ficamos imaginando as múltiplas possibilidades de continuidade, tudo o que a gente poderia ter dito e não disse, feito e não fez.
Gaste seu amor.
Usufrua-o até o fim.
Enfrente os bons e maus momentos, passe por tudo que tiver que passar, não se economize.
Sinta todos os sabores que o amor tem, desde o adocicado do início até o amargo do fim, mas não saia da história na metade.
Amores precisam dar a volta ao redor de si mesmo, fechando o próprio ciclo.
Isso é que libera a gente para Ser Feliz Novamente.


::: by meraluz at 11:51 PM - post nº

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Fevereiro 17, 2004 :::

Não me chamem para churrascos


É. Eu tive que ir. Ensaiei algumas desculpas para me livrar do grande evento mas não houve jeito. Era aniversário do marido de minha amiga C., e ela fazia questão da presença de todos, sob pena de cortar a amizade. E lá fui eu. Toda perfumada, limpinha, engomadinha. O churrasco seria no playground do prédio (ó, céus!). Até acertar onde fica o playground nesses condomínios com trocentos blocos, vai uma boa meia hora. É bem verdade que o cheiro ajudou na localização. Havia mais de 100 pessoas no recinto e muita fumaça. Cumprimentei discretamente a todos e escolhi a dedo uma mesa estrategicamente localizada. Bem longe da fumaça. Contrataram um serviço, mas os comensais eram obrigados a se dirigir até a churrasqueira para pegar suas carnes e investir em toxinas. Pensei: "estou salva, não como carne!" Mas eis que uma senhora idosa pede quase em súplica que eu pegue para ela as 1001 carnes que estalavam na churrasqueira. Não costumo negar gentilezas a idosos, por natureza. E lá fui eu para a frente da churrasqueira, onde impregnei-me de fumaça gordurosa até a alma. Aquele odor maravilhoso de lingüiças, picanhas, maminhas, coração de galinha, todos saturadíssimos. Mas fiz lá minha boa ação e ainda tive de constatar que a ingestão de carnes não compromete a longevidade. Voltei à minha mesa estrategicamente localizada, servindo-me no buffet de uma saladinha "low profile". O barulho impedia o processamento zen da minha digestão. Crianças gritavam e corriam sem parar. Vozes se misturavam. Uma algazarra só. O próximo passo deveria ser o pagode - oh, não! Comecei a rezar "Senhor, fazei com que não se lembrem do pagode, parte integrante da maioria dos churrascos." O Senhor ouviu minhas preces, ufa... Não teve pagode. Justiça seja feita, aquelas pessoas realmente não pareciam mesmo apreciadoras de pagode, gostavam de bossa-nova, para minha sorte.

Estava já desesperada para ir embora quando surge ao fundo alguém com uma TV de 29 polegadas. Colocam-na ao lado da minha mesa estrategicamente localizada e anunciam: "FLAMENGO x VASCO ! Ninguém se mexe! Todo mundo assistindo e nem um pio!". Pronto. Já não poderia mais me levantar para sair. Não deveria desconcentrá-los do jogo. Segurei até o segundo tempo então, porque, afinal, sou flamenguista, e não chega a ser um sacrifício ver meu mengão ganhar do Vasco de 2 x 0.

Finalmente, consegui sair daquele ritual antropofágico. Não sem antes posar para a famosa fotografia em grupo que iria constar das futuras recordações em algum álbum de capa florida. Era um domingo da semana anterior ao Carnaval. Quando, enfim, comecei a respirar aliviada do lado de fora, um funcionário da CET Rio vem me avisar que a rua estava fechada por causa do desfile do Bloco Suvaco do Cristo, no Jardim Botânico. Era só o que me faltava. Tudo o que queria era correr para o meu chuveiro e livrar-me daquele cheiro de carne e gordura. Mas só consegui alcançá-lo 1 hora depois de vencer um trânsito dantescamente engarrafado.

E, depois deste relato, meus amigos, deixo aqui um pedido suplicante: - não me convidem para churrascos, por favor! É muito sacrifício pro meu estilo zen, há qualquer coisa nesse tipo de evento que me lembra as barbáries. E eu sou uma pentelha social que não come carnes.


::: by meraluz at 3:51 PM - post nº

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Fevereiro 5, 2004 :::

Aviso aos Navegantes

O tempo escapou-me novamente. Tirou-me o diletantismo e as horas de recreio. Espero que minha boa vizinhança compreenda. Ao primeiro hiato de liberdade, voltarei a visitá-los e a estender neste varal melhores e mais palavras.


::: by meraluz at 11:15 AM - post nº

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Hilda Hilst (1930/2004)



Ontem a Literatura ficou um pouco mais pobre. Hilda Hilst partiu deste mundo, deixando-nos muitas e belas palavras e levando tantas outras. Eu gostava dela, gostava muito.

Para poder morrer
Guardo insultos e agulhas
Entre as sedas do luto.
Para poder morrer
Desarmo as armadilhas
Me estendo entre as paredes
Derruídas
Para poder morrer
Visto as cambraias
E apascento os olhos
Para novas vidas
Para poder morrer apetecida
Me cubro de promessas
Da memória.
Porque assim é preciso
Para que tu vivas.


(Hilda Hilst)


::: by meraluz at 11:03 AM - post nº

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Fevereiro 2, 2004 :::

Queria reabilitar em mim a capacidade de escrever coisas bonitas, vindas lá do fundo do coração. Lembro bem da fluidez semântica que experimentava antes do "doutrinamento" dele (do coração).

Mas sofri uma espécie de "heartwashing". É, eu sei. Ele deve ainda ter alguma força. Mas a razão, essa velha chata, anda falando mais alto. É extremamente monótona, sem atrativos, mas é previsível. Com ela não haverá convulsões. Tudo será muito bem explicadinho - e cheio de tédio, óbvio.

Deixe-me tentar ouvir o que o coração me diz agora. Vamos ver...

- (*a*%%e9epls)(*&&!!?)(*&^%#@@!

Nossa... será que ele disse algum palavrão?

É melhor que o distinto continue calado. Limitar-me-ei a invejar aqueles que ainda conseguem escrever, falar ou produzir algo com o coração. É uma produção muito mais bonita, muito mais fecunda e muito mais humana.

Mas, quanto a mim, melhor mesmo é não acordar este gigante adormecido. Assim, me iludo "pensando ter" o controle da vida em minhas mãos (ó, pretensão!).


::: by meraluz at 6:43 PM - post nº

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Janeiro 31, 2004 :::

Da série: Mentes (quase) fantásticas:

Charles Bukowski (1920-1994)

... and the hard words I ever feared to say can now be said: I love you.

Oh, yes!
there are worse things than
being alone
but it often takes decades
to realize this
and most often
when you do
it's too late
and there's nothing worse
than
too late.


tradução
(sou contra traduzir poemas, mas voilà):

há coisas piores do que
a solidão
mas geralmente leva-se décadas
para entender isto.
E, mais,
quando se consegue,
já é tarde demais,
e não há nada pior
do que
tarde demais
.


Não vejo propriamente genialidade nas obras Charles Bukowski, ao contrário de certos mitômanos fanáticos pelo autor. Acho-o interessante, bem interessante. Estilo, personalidade e traços muito bem marcados. Gosto de lê-lo. Mas não seria o autor que eu levaria comigo para uma ilha deserta. Embora seja uma leitura forte, é um tanto deprê demais talvez para uma ilha deserta. Ele oscila entre o patético, o trágico e a autodestruição, entre lixos e flores. Arranca poesia do asfalto urbano e imundo. Usa a ironia na medida certa e representa um paradoxo supremo aos enfadonhos e limitados padrões literários. A mim parece ter ficado um pouco preso ao chão de Los Angeles, mas consideremos que ele escrevia a partir de sua realidade. Em quase todos os seus livros estão presentes os cenários decadentes de uma América pífia, habitados por putas, bêbados, loucos e por aqueles que só conseguiram um lugar esquecido à margem.

O "jeito Bukowski de ser" inspirou e continua a inspirar muitos jovens, que vivem de idolatrá-lo, imitá-lo e citá-lo incansavelmente. É como se vestissem uma fantasia Bukowskiana e sofressem um processo mimético, onde acreditam ser seus clones, apenas para protestar. Passam a falar e a se comportar como o "velho porco e safado", fazendo um download de sua agressividade, do seu culto à lama e ao escatológico, de seu olhar para uma sociedade velha e hipócrita. Mas assim não vale. É melhor gostar de Bukowski sem tentar ser Bukowski. Até porque seria uma operação impossível.

Para ser uma cópia exata de Buk (ou de qualquer outro) é preciso ter tido os mesmos espancamentos biográficos. Ele e sua obra são o resultado imediato das próprias feridas. Para ser Buk é preciso ter tido uma infância difícil, uma infância violentamente aviltada por um pai neurótico de guerra; seria preciso ter nascido na Alemanha e se mudado para a América na época da Depressão, bem como registrar uma adolescência extremamente solitária, sem amigos, onde um quadro severo de "acne vulgaris" viesse a cobrir toda a pele de furúnculos purulentos e repugnantes, que afasta qualquer indivíduo de uma sociedade aparentemente "limpinha e asséptica". Feridas que deixaram cicatrizes para todo o sempre, por dentro e por fora. Para ser Buk é preciso ter sentido na pele, além das espinhas, o desprezo maciço e implacável de um sistema torpe. É infrutífera a tentativa dos "góticos" - ou o que o valha - de classe média de incorporar o espírito do autor com fidelidade. Imitar Buk sem ter sido Buk é "fazer gênero". Mas isso é típico dos arroubos da juventude. Precisam de ídolos e paradoxos. E ninguém melhor do que Buk, o velho bêbado degenerado, para levantar essas bandeiras de protesto, essa nota dissonante do "déjà vu".

A grande marca de Bukowski era a autenticidade, muito diferente do que a acontece com a maioria de seus deslumbrados seguidores. Buk realmente não "estava nem aí" para os pilares da "literatura perfumada", muito menos para teatro das aparências. Desprezava profundamente o mundo arrumadinho e artificial ensinado pelas instituições das farsas, contrapondo-o ao limbo do underground, onde parecia morar a verdade.

No fundo, eu penso mesmo é que faltou algo fundamental a Buk: amor...
Mas tivesse ele se fartado de amor, talvez não rendesse tanta literatura.

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Incluirei futuramente neste post a biografia de Buk, que se encontra ainda em tradução, por minha total falta de tempo. Por enquanto, acho que vale ler o artigo abaixo e alguns poemas:

Deus salve a América.
Diabo salve Charles Bukowski
- por Leonardo Barbosa Rossato

Bukowski - poemas (em inglês)

Livros Publicados (em inglês)


::: by meraluz at 1:03 PM - post nº

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